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Renault Clio traz mudanças importantes muito além dos que os olhos podem ver

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Com novos componentes do motor e sistema de injeção e ignição, modelo agrada ao reparador. Além disso, manutenção simples é um ponto forte, mas algumas falhas recorrentes podem permanecer

O Renault Clio foi originalmente lançado na França em 1990 e, atualmente, se encontra na terceira geração em nosso país. Porém, na Europa já está em fase bem mais avançada de desenvolvimento, possuindo altíssima tecnologia e visual longe de ser o popular das terras tupiniquins.

Dessa forma, encontramos diversas versões do popular em nosso país, como o Clio Yahoo, RN, RL e RT (de 1999 a 2003); Boticário, Authentic, Dynamique, Expression, Privilége e Privilége Alizé (2003 a 2008); e Campus (a partir de 2008).

Até que, no segundo semestre de 2013, a Renault lançou a nova versão do modelo para o Brasil. Associado ao ideal de eficiência energética, a marca francesa adotou o indicador de troca de marchas (GSI – Gear Shift Indicator) como item de série do novo Clio. Com ele, o motorista deixa de intuir o melhor momento da troca de marchas, mas passa a receber as indicações do veículo de quando fazê-lo. A melhor parte é que esta indicação varia de acordo com o tipo de condução do veículo, ou seja, se você guiar mais esportivamente, o veículo indicará o momento de troca de marchas com rotações mais altas, porém, se optar por conduções mais suaves, esta troca será indicada com rotações mais baixas, mas sempre privilegiando o consumo de combustível.

DESEMPENHO X CONSUMO

Segundo a marca, apesar de possuir aparência similar, o motor do Clio recebeu cerca de 70 alterações para torná-lo o mais econômico do país, como também o mais potente de sua categoria. O 1.0 16V Hi-Power desenvolve 80cv (5.750 rpm) trabalhando com etanol e 77cv (5.750 rpm) com gasolina. São 10,5 kgfm e 10,1 kgfm de torque máximo aos 4.250 rpm.

A marca divulga que a versão equipada com arcondicionado e direção hidráulica possui consumo de 9,1km/l (ciclo urbano) e 9,6 km/l (estrada), quando abastecido com etanol. Já quando este está abastecido com gasolina, a média de consumo fica em 13,1km/l (cidade) e 14,3km/l (estrada).

Durante nossos testes, percebemos valores bem próximos a isso. Quando abastecido com etanol e com ar condicionado ligado, o consumo em ciclo urbano ficou em 9,3km/l. Com o mesmo combustível em ciclo rodoviário, o consumo atingiu incríveis 12,1km/l. Já quando abastecido com gasolina, na cidade atingiu 12,4km/l e na estrada chegou a 14,8km/l.

CONFORTO

Apesar de ser um veículo popular, tido como um dos mais baratos do Brasil, dirigir o Clio não é uma tarefa cansativa e incômoda.

Ao contrário do praticado por outras montadoras, que costumam oferecer interiores e bancos simples, duros e incômodos, os bancos dianteiros do Clio são grandes, oferecem bom apoio às pernas e às costas do motorista e passageiro, permitindo que mesmo em viagens longas, a fadiga não pegue os ocupantes tão cedo.

A suspensão do Clio também é bem confortável. Mesmo quando exposto à vias com asfalto mal cuidado ou até com a ausência deste, o veículo apesar de chacoalhar, não apresentava batidas secas na suspensão ou oferecia insegurança à dirigibilidade.

Quando exigimos ‘um pouco mais’ do conjunto em curvas acentuadas e com velocidades altas, o carro mantinha durante um bom tempo a trajetória, só saindo de frente quando já não era mais possível mantê-lo, característica essa bem diferente do apresentado pelos populares.

Internamente, vemos um cuidado especial para com os detalhes. A moldura das saídas de ar possuem detalhe cromado e os botões de acionamento dos vidros elétricos e do ar condicionado são mais anatômicos que os da versão anterior.

No painel de instrumentos, além de possuir os indicadores de troca de marcha, o modelo conta com um computador de bordo completo, que informa ao condutor consumo de combustível médio, consumo instantâneo, quilometragem percorrida desde a última aferição, litros de combustível consumidos e distância a ser percorrida até o próximo abastecimento.

Podemos dizer, baseados em tudo o que vimos e testamos, que o Clio é um dos veículos mais justos de nosso mercado, pois oferece o que tem de melhor como, por exemplo, consumo baixo, desempenho agradável e conforto acima da expectativa, por um preço competitivo e relativamente inferior ao ofertado pela concorrência.

 

NAS OFICINAS

Para sabermos como o Clio se comporta nas oficinas independentes, levamos o exemplar 1.0 16V 2013/2014 que estava com 3.859km rodados para ser avaliado pelo reparador Fábio Alves Pereira, docente do SENAI-SP na área automotiva e proprietário da oficina Binho’s Car Service, localizada em São Bernardo do Campo-SP.

Coincidentemente, para qualificarmos melhor a avaliação, em sua oficina havia uma versão do Clio anterior a essa (FOTO 1), onde conseguimos realizar importantes comparativos de evoluções entre os modelos.

Incialmente, perguntamos ao Fábio qual era a rotina de atendimento deste modelo em sua oficina, e ele comentou: “Atendo aqui em minha oficina uma média de 160 veículos por mês e o Clio representa cerca de 8% deste total. Considero isso muito! Aqui na região percebo uma quantidade grande deste modelo”.

Quando o reparador abriu o capô do veículo, deu sua primeira opinião: “Para mim, este carro mudou só esteticamente. Mecanicamente o veículo é quase o mesmo! Houveram mudanças na bobina e em alguns componentes da injeção eletrônica”.

Fábio ainda acrescentou: “Por continuar praticamente a mesma coisa, acredito que os defeitos anteriores continuem os mesmos. No cofre do motor (Foto 2), os locais de difícil acesso permanecem, como no caso da remoção da embreagem, onde se faz necessária a remoção do quadro da suspensão. Há dificuldade também em remover o coxim do câmbio. Devido à característica do projeto, é comum haver trepidação da alavanca do câmbio. Não sei se essas reclamações chegam até a montadora, o que é uma pena, pois as atualizações que o veículo recebeu não compreenderam essas mudanças”.

No sistema de ignição do veículo houve uma alteração a qual Fábio considera de grande importância: “Na bobina dos modelos anteriores (Foto 3A), o cabo fazia parte do conjunto e, quando este avariava, era necessária a troca do conjunto completo, incluindo a bobina. Vejo que este inconveniente neste novo modelo (Foto 3B) foi solucionado”.

Outro cuidado deve ser tomado com os cabos de vela (Foto 4). É o que comentou Fábio: “Deve-se ter precaução na hora da remoção dos cabos, pois estes costumam desprender o isolamento central, tornando-o componente inoperante. Isso ocorre principalmente em veículos com quilometragem próxima aos 40.000km”.

Fábio comentou também sobre as manutenções mais comuns em sua oficina: “É comum casos em que é necessária a reprogramação da ECU (Foto 5) para solucionar algumas falhas. Outra falha recorrente ocorre no sensor VSS (Sensor de Velocidade), onde este apresenta perda de sinal”.

Durante a análise das principais mudanças no sistema de injeção do veículo, Fábio notou uma mudança importante: “O corpo de borboleta deste modelo novo (Foto 6A esquerda) é bem diferente da versão anterior (Foto 6B direita)”.

Mas os defeitos recorrentes não acabam por aí. Segundo Fábio, há um bem grave: “Existe uma central do imobilizador que fica atrás da caixa de fusível interna do painel. Nesta, por má vedação, ocorre infiltração de água, danificando-a e trazendo a ineficiência do componente e do alarme, pois estes trabalham em conjunto. Dessa forma, quando a falha ocorre, o veículo não dá partida”.

Fábio ainda completou: “Essa falha começa a ocorrer já a partir dos 30.000km. Alguns clientes pedem para eliminar este sistema, pois para trocá-lo, se faz necessária a troca também da ECU, pois trabalham em conjunto e se substituirmos somente a unidade do imobilizador, a central de injeção não o reconhecerá. Esse reparo, se efetuarmos da forma correta, fica em torno de R$ 1.800,00. É possível somente eliminá-lo, e deixar um emulador para a injeção acreditar que este está funcionando”.

Sobre o sistema de freio (Foto 7) do Clio, Fábio relatou: “Em minha opinião estes discos deveriam ser ventilados, pois estes costumam empenar com facilidade devido à temperatura que atingem, necessitando de recorrentes retíficas ou substituição dos discos”.

Já no sistema de suspensão (Foto 8), nada muda: “Esta é a mesma utilizada nas versões anteriores do Clio, portanto, trará os mesmos inconvenientes. Geralmente, pego problemas nos batentes e coxins superiores dianteiros, mas em minha opinião, quando comparado aos demais veículos da mesma categoria, essa é bem robusta e fácil de trabalhar e, no momento de guiarmos o veículo, esta é bem suave e firme nas curvas”, disse o reparador Fábio.

Na traseira (Foto 9), as manutenções recorrentes são: “O mais comum é a troca de amortecedores e batentes, ao contrário do que ocorre nas demais linhas francesas que costumam avariar a barra de torção”.

Conversando com Fábio, percebemos que o Clio é um veículo que mescla a manutenção simples com alguns itens de reparo trabalhoso, como no caso da troca da embreagem. Baseados nessa informação, perguntamos se ele gosta de reparar este veículo e Fábio respondeu: “Vejo como um desafio trabalhar neste carro, já que muitos profissionais não gostam de veículos dessa marca por ter preconceito contra veículos franceses, por considerá-los de manutenção trabalhosa e de custo elevado. Eu acho um bom desafio, pois com o passar do tempo vamos nos familiarizando com o produto e com suas particularidades e, no momento, não vejo qualquer dificuldade em fazer manutenções neste, exceto que devemos prestar bastante atenção aos detalhes, às peças que serão substituídas e no processo de desmontagem. Com cuidado e carinho, é um ótimo veículo! Talvez alguns iniciantes tenham alguma dificuldade, mas acho difícil. É um carro que eu recomendo aos meus clientes”.

PEÇAS DE REPOSIÇÃO

Sobre o mercado de peças de reposição para veículos da marca, o reparador Fábio comentou: “Para este veículo e os demais da Renault, costumo adquirir 70% das peças em concessionárias. Tenho notado inclusive que muitas autopeças têm comercializado grande gama de peças originais da marca, provavelmente adquiridas em concessionárias também, mas com custo um pouco maior, deixando nossa margem de lucro menor. Mas nas autopeças e distribuidores há itens que valem a pena adquirir, como alguns filtros, componentes de freios e juntas, onde totalizam os outros 30%”.

Mas esses preços mais baixos nas concessionárias têm uma explicação simples: “As concessionárias têm o costume de fazer promoções com as peças de maior giro no estoque, algo muito inteligente e que a anos atrás não ocorria. Com isso só temos a ganhar de todos os lados, pois trabalhamos com peças de procedência garantida, adquiridas a um preço justo, a fabricante ganha com o alto volume de vendas e o cliente final sairá na certeza de que conseguiu o melhor custo-benefício no reparo realizado em seu veículo”, comentou Fábio.

INFORMAÇÕES TÉCNICAS

Como sabemos, a divulgação de informações técnicas é um tema que interfere diretamente na rotina de reparo das oficinas independentes, mas segundo Fábio, isso pode mudar de acordo com uma mudança de atitude do profissional: “Bom, para mim isso tem uma solução simples. Por exemplo, quando você precisa de uma chave de fenda, o que você faz? Pede emprestado? Não, você tem que comprar! Com as informações técnicas acontece algo parecido. É lógico que temos que ajudar, mas pense numa situação em que você investe em treinamento, ferramental, recursos didáticos, literatura e você pega ‘um baita pepino’, fica 5 dias apanhando para resolver um problema, mas no fim resolve, correto? Mas como resolveu? Com dedicação, horas investindo em treinamentos presenciais e online, comprando ferramental adequado, trabalhando em equipe e em horário estendido, e por aí vai. Vejo que a maioria dos reparadores não vão atrás da informação, não se dedicam a conquistá-la, não buscam treinamentos, bons equipamentos de diagnóstico, boas literaturas, não se atualiza, não lê, não conhece como funciona o produto que esta reparando, enfim, querem a informação na mão. Assim é muito fácil!”.